30.12.04
A Regeneração que Tarda
Para uma vida política decente, seria absolutamente necessário arredar da ribalta uma família de gente medíocre, tecnicamente incompetente, moralmente frouxa e com falta de sentido patriótico que, presentemente, ocupa o poder nos dois maiores partidos portugueses. Gente que vive essencialmente da e para a imagem que deles faz a Comunicação Social, numa obsessão, que condiciona e atrofia toda a sua subsequente actuação.
No arranjo partidário, seria muito conveniente desencadear uma movimentação que engendrasse uma recomposição das forças políticas existentes, em especial, no importante sector de primitiva orientação social-democrática ou socialista moderada, cuja doutrina haveria que recuperar e reenquadrar nas actuais circunstâncias, para lograr um renascimento do depauperado ideário político-social do povo português, capaz de fazer sair o país da crise, primeiro que tudo, espiritual, em que tem vivido, sobretudo, nos últimos dez anos.
Torna-se penoso assistir a tanta vacuidade ideológica, intelectual e cultural, de que continuamente dão provas as actuais elites e, naturalmente, sem revelarem possuir um sentido de rumo para o País, que estruturalmente se debilita, iludido nos templos de consumo, carregados de artigos importados, que não encontram equilíbrio possível, nas exportações que a nossa economia anémica, sem pólos industriais fortes, não consegue assegurar.
Alguns, infelizmente poucos, Economistas e Industriais, sérios e competentes, têm-nos avisado, com palavras duras e com números expressivos, para a realidade trágica que vamos construindo; sem aparente êxito, porque a alienação consumista é muito funda e poderosa, agravando tudo, pela sua auto-propulsão, que leva a consumir cada vez mais, para contrariar o sentimento de crise, numa espécie de círculo vicioso, auto-alimentado, enquanto houver quem financie o distorcido circuito económico.
Dentro de alguns anos, se nada alterar a presente trajectória, o desastre será ineludível, tal como aconteceu com o fracasso do sistema educativo do país.
Lembremo-nos de que ainda há poucos anos, pessoas comprovadamente inteligentes e conhecedoras dos problemas educativos nos garantiam a bondade das reformas que anunciavam com grande afã mediático. Onde páram elas hoje ? Talvez, lá nas douradas Administrações onde subiram, sintam algum remorso na consciência, mas, na verdade, não as vemos sequer expressar o seu mea culpa e o mal continua sem remédio.
Portugal, que no final do século xix foi açoitado por uma onda de criticismo, encabeçada pela intelectualmente brilhante geração de 70, de Antero, Eça e Oliveira Martins, volta hoje, em conjuntura muito diversa, a debater-se com problemas semelhantes, entre os quais o da sua própria sobrevivência, como entidade autónoma e soberana, no concerto das nações europeias em que nos achamos.
Começa a ser difícil imaginar a nossa situação dentro dos próximos 50 anos, pelas fragilidades criadas, nos planos económico, industrial, educativo e cultural. Tanto mais que não se sente, nas nossas ditas elites, verdadeira preocupação pela situação atingida, nem o sentido ético e patriótico, necessário para empreender uma convincente regeneração e, sem esta, o desastre acabará por ocorrer.
Dir-se-á que já os da geração de 70 previram a extinção do país e, mais de cem anos depois, ele ainda cá está a desmentir o seu imoderado pessimismo. Assim é, de facto, mas os males acumulam-se perigosamente e a conjuntura alterou-se profundamente, criando, nalguns aspectos, dificuldades novas e maiores, restringindo a nossa capacidade de manobra.
A inclusão do país numa estrutura político-administrativa, como a da União Europeia, veio mudar tudo, requerendo ainda maior perícia, astúcia e consciência de objectivos da nossa parte e não, como temos visto, uma visão edulcorada dessa integração num espaço económico-social avançado, ela própria geradora de progresso, como se por mero efeito indutivo.
Em certos aspectos, os instrumentos de actuação são hoje menores e, com falsas elites, desprovidas de sentido patriótico, na sua forma de actuar, nos sectores-chave em que pontificam, a tarefa de Portugal para sobreviver, como país soberano, digno e progressivo, respeitado pelos seus parceiros, torna-se absolutamente homérica.
Estaremos nós outros, portugueses, à altura dela, com as actuais elites que nos regem ?
Gutta cavat lapidem.
AV_Lisboa_29-12-2004
No arranjo partidário, seria muito conveniente desencadear uma movimentação que engendrasse uma recomposição das forças políticas existentes, em especial, no importante sector de primitiva orientação social-democrática ou socialista moderada, cuja doutrina haveria que recuperar e reenquadrar nas actuais circunstâncias, para lograr um renascimento do depauperado ideário político-social do povo português, capaz de fazer sair o país da crise, primeiro que tudo, espiritual, em que tem vivido, sobretudo, nos últimos dez anos.
Torna-se penoso assistir a tanta vacuidade ideológica, intelectual e cultural, de que continuamente dão provas as actuais elites e, naturalmente, sem revelarem possuir um sentido de rumo para o País, que estruturalmente se debilita, iludido nos templos de consumo, carregados de artigos importados, que não encontram equilíbrio possível, nas exportações que a nossa economia anémica, sem pólos industriais fortes, não consegue assegurar.
Alguns, infelizmente poucos, Economistas e Industriais, sérios e competentes, têm-nos avisado, com palavras duras e com números expressivos, para a realidade trágica que vamos construindo; sem aparente êxito, porque a alienação consumista é muito funda e poderosa, agravando tudo, pela sua auto-propulsão, que leva a consumir cada vez mais, para contrariar o sentimento de crise, numa espécie de círculo vicioso, auto-alimentado, enquanto houver quem financie o distorcido circuito económico.
Dentro de alguns anos, se nada alterar a presente trajectória, o desastre será ineludível, tal como aconteceu com o fracasso do sistema educativo do país.
Lembremo-nos de que ainda há poucos anos, pessoas comprovadamente inteligentes e conhecedoras dos problemas educativos nos garantiam a bondade das reformas que anunciavam com grande afã mediático. Onde páram elas hoje ? Talvez, lá nas douradas Administrações onde subiram, sintam algum remorso na consciência, mas, na verdade, não as vemos sequer expressar o seu mea culpa e o mal continua sem remédio.
Portugal, que no final do século xix foi açoitado por uma onda de criticismo, encabeçada pela intelectualmente brilhante geração de 70, de Antero, Eça e Oliveira Martins, volta hoje, em conjuntura muito diversa, a debater-se com problemas semelhantes, entre os quais o da sua própria sobrevivência, como entidade autónoma e soberana, no concerto das nações europeias em que nos achamos.
Começa a ser difícil imaginar a nossa situação dentro dos próximos 50 anos, pelas fragilidades criadas, nos planos económico, industrial, educativo e cultural. Tanto mais que não se sente, nas nossas ditas elites, verdadeira preocupação pela situação atingida, nem o sentido ético e patriótico, necessário para empreender uma convincente regeneração e, sem esta, o desastre acabará por ocorrer.
Dir-se-á que já os da geração de 70 previram a extinção do país e, mais de cem anos depois, ele ainda cá está a desmentir o seu imoderado pessimismo. Assim é, de facto, mas os males acumulam-se perigosamente e a conjuntura alterou-se profundamente, criando, nalguns aspectos, dificuldades novas e maiores, restringindo a nossa capacidade de manobra.
A inclusão do país numa estrutura político-administrativa, como a da União Europeia, veio mudar tudo, requerendo ainda maior perícia, astúcia e consciência de objectivos da nossa parte e não, como temos visto, uma visão edulcorada dessa integração num espaço económico-social avançado, ela própria geradora de progresso, como se por mero efeito indutivo.
Em certos aspectos, os instrumentos de actuação são hoje menores e, com falsas elites, desprovidas de sentido patriótico, na sua forma de actuar, nos sectores-chave em que pontificam, a tarefa de Portugal para sobreviver, como país soberano, digno e progressivo, respeitado pelos seus parceiros, torna-se absolutamente homérica.
Estaremos nós outros, portugueses, à altura dela, com as actuais elites que nos regem ?
Gutta cavat lapidem.
AV_Lisboa_29-12-2004
Comments:
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Prefiro acreditar que suas observações foram duras demais. Por mais que a realidade seja a que mostrou,
prefiro sonhar que "dias melhores virão". Não abro mão da minha revolta, como Camus; mas também não abro mão de sonhar e esperar que haja a volta de um pensamento geral mais sensato nos quatro cantos deste nosso planetinha tão sofrido. Ainda quero "BUSCAR BELEZAS". E encontro, nem que estejam escondidas aqui, em suas belas palavras, nesta sua crítica doída e sincera.
ABRAÇOS,
Bisbilhoteira.
(www.bisbilhotices.blogger.com.br).
prefiro sonhar que "dias melhores virão". Não abro mão da minha revolta, como Camus; mas também não abro mão de sonhar e esperar que haja a volta de um pensamento geral mais sensato nos quatro cantos deste nosso planetinha tão sofrido. Ainda quero "BUSCAR BELEZAS". E encontro, nem que estejam escondidas aqui, em suas belas palavras, nesta sua crítica doída e sincera.
ABRAÇOS,
Bisbilhoteira.
(www.bisbilhotices.blogger.com.br).
Meu Caro
António Viriato
Retribuo hoje a sua visita.
Não sei se é filiado algum partido (desconfio que seja do PSD)mas era bom que o fosse porque a mudança passa por eles.
Hoje publico uma análise sobre as causas do estado em que estão os partidos que gostaria que lesse.
No meu blogue tenho vindo a apresentar análises e propostas.
Pode ser que sirvam algum dia...
António Alvim
António Viriato
Retribuo hoje a sua visita.
Não sei se é filiado algum partido (desconfio que seja do PSD)mas era bom que o fosse porque a mudança passa por eles.
Hoje publico uma análise sobre as causas do estado em que estão os partidos que gostaria que lesse.
No meu blogue tenho vindo a apresentar análises e propostas.
Pode ser que sirvam algum dia...
António Alvim
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